Ser Mãe: o papel mais exigente, mais difícil mas o melhor da minha vida

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Obrigada minhas filhas por me fazerem Mãe,
Por me fazerem desempenhar o papel mais exigente, mais difícil mas o melhor da minha vida. 
Obrigada por me fazerem uma pessoa mais compreensiva quando naquelas noites difíceis consigo respirar fundo, não descompensar e perceber que se vocês não dormem é porque algo não está bem. 
Obrigada por me fazerem uma pessoa mais paciente quando tenho que lidar com as vossas birras e guerrilhas sem perder o auto-controlo e quando o perco, porque também acontece, conseguir perceber que errei e pedir desculpa.
Obrigada por me fazerem uma pessoa mais flexível, capaz de perceber as vossas vontades e tentar argumentar quando não estou de acordo com elas.
Obrigada por me fazerem uma pessoa mais responsável porque tenho três seres que dependem de mim para tudo e não lhes posso falhar.
Obrigada por me fazerem uma pessoa mais forte capaz de lutar contra um leão para vos defender e proteger.
Obrigada por me fazerem uma pessoa mais tolerante capaz de perceber que sois só crianças e que o vosso maior objetivo é o divertimento.
Obrigada por me fazerem superar diariamente e entender que o cansaço físico pode sempre esperar mais um pouco e que mãe não pode estar doente.
Obrigada por me fazerem perceber que os meus braços são capazes de se multiplicarem para vos dar colo as três.
Obrigada por me fazerem perceber o que realmente interessa e deixar de aborrecer com coisas fúteis.
Obrigada por me fazerem perceber que é preciso tão pouco para ser feliz e por me mostrarem que a felicidade está nas pequenas coisas.
Obrigada por me fazerem andar sempre a mil e mesmo assim perceber que apesar do dia só ter 24h é possível dar resposta a tudo.
Obrigada por me fazerem perceber que o tempo de qualidade é o tempo que passo convosco.
Obrigada por me fazerem perceber que apesar de vocês serem três eu consigo dar conta do recado. 
Obrigada por me fazerem argumentar quando preciso de vos dizer não e o não apenas não é suficiente.
Obrigada por me ensinarem a ignorar os olhares e as críticas dos outros quando vos comportais menos bem.
Obrigada por terem mudado as prioridades da minha vida.
Obrigada pelos abraços apertados, pelos beijinhos cheios de baba, pelos miminhos e por me dizerem “gosto muito de ti”.
Obrigada pelas vossas gargalhadas que são a melhor musica que eu posso ouvir.
Obrigada por me ensinarem a lutar e a importância da vida.
Obrigada pelo vosso olhar de admiração.
Obrigada por me terem tornado uma melhor pessoa.
Obrigada por revelarem o melhor de mim.
Obrigada por me fazerem ainda mais feliz.
Obrigada por me fazerem sentir o amor mais puro, incondicional e eterno.
Obrigada pela vossa capacidade de perdoar e por me amarem mesmo quando ralho convosco. 
Obrigada por me terem escolhido para vossa mãe e por me permitirem fazer parte das vossas vidas.
Não sou a mãe perfeita mas sou a melhor que consigo ser e todos os dias luto para ser uma melhor mãe. O maior objetivo da minha vida é fazer-vos e ver-vos felizes. 


Amo-vos daqui até à lua.

Já em casa pensei que as perdia

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Na neonatologia já nos tinham dito que é normal um prematuro bolçar bastante, nunca pensamos é que seria tanto. A Carlota dava-nos a impressão que bolçava a totalidade do leite que ingeria. Cada vez que mamava tinha que mudar a roupa porque se molhava toda.

A primeira vez que aconteceu foi num dia à tarde, cerca de uma semana depois de ter tido alta. Estava a dormir ao meu lado no sofá, de barriga para cima como é aconselhado, e de repente começou a mexer freneticamente os braços. Olhei para ela e percebi que estava a deitar um pouco de leite pela boca, que não conseguia respirar e que estava a mudar de cor. Estava engasgada com o leite. Temi o pior. Instintivamente virei-a ao contrário, pousei-a sobre a minha mão esquerda e com a direita comecei a dar-lhe palmadas nas costas (é a chamada Manobra de Heimlich). Não reagiu tão rápido quanto eu queria e naquele desespero meia dúzia de segundos parecem horas. Ao fim de alguns segundos começou a tossir, a chorar e a expelir o leite pela boca. Coloquei-a encostada ao meu peito. Tal como eu estava assustada. E só depois de reverter a situação é que entrei em choque. Pensei mesmo que a podia perder. O que raio tinha acabado de acontecer? Sabia perfeitamente o que tinha sido mas estava incrédula. E se eu não estivesse ao lado dela? E se fosse durante a noite e eu não acordasse? E se fosse durante o tempo que eu passava no hospital com a Carminho e a minha mãe não ia saber actuar? A minha filha podia ter morrido.

Os minutos que se seguiram ao pós choque foram de decisões. Devo levar à urgência para ser avaliada? Não me parecia boa ideia porque era muito arriscado para um prematuro. Devo ligar ao pediatra? Ou devo aguardar e estar atenta nas próximas horas. Ela estava reactiva, bem disposta e alimentou-se normalmente a seguir por isso aparentemente estava tudo bem. 

Instalou-se o medo. Sabia que podia voltar a acontecer e tinha medo de não me aperceber e agir atempadamente. Dei uma explicação à minha mãe caso acontecesse durante o tempo em que eu não estivesse e passei a dormir mesmo mal para poder estar atenta. E aconteceu. Não uma, nem duas mas bastantes vezes. A segunda vez levei-a urgência mas como ela era amamentada com o meu leite não havia nada a fazer. Só mais tarde o pediatra sugeriu que extraísse o meu leite e adicionasse espessante. Foi remédio santo. Para além disso passei a deita-la de lado (que não é mesmo aconselhado mas no desespero fiz) e nunca mais aconteceu. 

Quando a Carminho teve alta a Carlota já não tinha estes episódios há algum tempo. Mas uns dias depois eis que o mesmo acontece com a Carminho. Também num dia à tarde a vejo a mexer freneticamente os braços e todos os restantes sinais iguais a Carlota. A mesma reação da minha parte e o mesmo choque imediatamente a seguir. No caso da Carminho chamei o INEM. Ficou prostrado, sonolenta e com uma respiração ruidosa. Valeu-nos mais duas noites na neonatologia em observação e uma alta com indicação para dar leite materno com espessante ou leite adaptado AR. Mesmo assim ainda teve uns cinco episódios. 


A coisa em que eu mais pensava era que se eu não soubesse como agir no momento era claro que  a ambulância não conseguia chegar a tempo. E depois de tudo o que elas já tinha passado podia te-las perdido. Foram sustos de morte e um medo incontrolável.